Estagiar com a EJA foi uma delícia para todas nós - integrantes do grupo de pesquisa de campo da disciplina de Antropologia.
Foram dias - melhor dizendo, noites - que nos ensinaram o quanto o ser humano é capaz de ultrapassar barreiras a procura da realização de um sonho. Homens e mulheres dedicados ao conhecimento que lhes fora negado por tanto tempo.
Visitem uma escola com EJA!
Será uma aprendizagem e tanto!
(Postado por Priscila)
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL
A educação da população adulta no Brasil colônia era de caráter religioso, deixando em segundo plano o caráter educacional.
Já no Brasil Império, aconteceram algumas reformas educacionais, reformas estas que preconizavam a necessidade do ensino noturno para adultos analfabetos. Sem se esquecer de citar a alfabetização realizada por caridade de alguns cidadãos.
A valorização da educação de adultos, no início do século XX, veio com o desenvolvimento industrial da nação. Inicia-se um processo lento, mas crescente. A alfabetização de adultos é vista como um meio de progresso do país e como forma de ampliação da base de votos.
A partir de 1940, detectaram-se altos índices de analfabetismo em todo Brasil, com isso, o governo decidiu criar um fundo destinado à alfabetização da população adulta analfabeta. Com o final da ditadura de Vargas, em 1945, iniciou-se um movimento de fortalecimento dos princípios democráticos.
A primeira campanha de educação de adultos em nosso país foi realizada em 1947. Tinha como meta a alfabetização desses em apenas três meses. O curso primário em quatorze meses, fazendo com que tais alunos alcançassem a capacitação profissional e o desenvolvimento comunitário.
A campanha, iniciada em 1947, não tinha caráter permanente, a cada ano haveria necessidade da portaria para prorrogar o ano de vigência do serviço de Educação de Adultos (ROCCO, 1979 p.47).
Muitas críticas foram feitas sobre o método de alfabetização adotado para a população adulta nessa Campanha, tais quais a precariedade das aulas, a falta de profissionais qualificados, o curto tempo previsto de formação, a ausência de material didático elaborado para esta modalidade tanto quanto a ausência de programas específicos à realidade do alfabetizando. Devido aos resultados insatisfatórios deu-se o declínio da primeira campanha.
Com o interesse da sociedade civil pelo aprimoramento da educação e a sua mobilização para tal, no fim dos anos 50 e início da década de 60, mudanças relativas à educação de adultos foram implantadas. Assim, o analfabetismo passava de agente ativo para agente passivo. Conforme SOARES (1996), o analfabetismo passa a ser apontado como conseqüência de um sistema desestruturado e desigual.
Com esse pensamento, houve a preocupação de aprofundar o processo educacional nas estruturas sociais dos educandos, pela educação de base, tendo em vista a realidade existencial dos mesmos. Podemos dizer, então, que Paulo Freire foi o grande desbravador desse campo em nosso país e, também, no exterior, visto que na percepção de Paulo Freire educação e alfabetização se confundem porque andam lado a lado.
Freire foi reconhecido nacionalmente por seu trabalho com a educação popular e, mais especificamente, com a alfabetização de adultos. Encarregado de realizar uma campanha nacional de alfabetização de jovens e adultos, Freire, após o golpe de 1964, encontrou-se impossibilitado de continuar com tal programa visto que seu processo educacional representava para o governo militar uma ameaça à ordem instalada com tal golpe.
Por suas idéias tidas como subversivas, Freire foi exilado. Campanhas assistencialistas e conservadoras, de pouco sucesso, retomaram o cenário educacional. Em 1967, o governo assumiu o controle da alfabetização de adultos, criou o movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), para a população de 15 a 30 anos, objetivando a alfabetização funcional – aquisição de técnicas elementares de leitura, escrita e cálculo.
O MOBRAL buscou provocar entusiasmo popular, calcado em um programa extensivo de alfabetização, que deveria alcançar todos os municípios do Brasil, por meio de um financiamento composto da opção voluntária do empresariado, destinando 1% do seu imposto de renda ao MOBRAL, com mais 24% da renda líquida da loteria esportiva. Tal desenho rendeu os maiores recursos até então destinados a EJA no Brasil. (ANDRADE, 2004 p. 54).
O Mobral, então, expandiu-se na década de 70 por todo o país, trazendo uma proposta de educação integrada objetivando a conclusão do curso primário.
Com a Lei de Diretrizes e Bases da educação, LDB 5692/71, implantou-se o ensino supletivo, sendo dedicado especificamente para a educação de jovens e adultos.
O Ministério da Educação e Cultura (MEC), no ano de 1974, implantou os Centros de Estudos Supletivos (CES), estes que funcionavam conforme tempo, custo e efetividade.
Em 1985, o MOBRAL foi extinto e surgiu em seu lugar a Fundação EDUCAR, passando a apoiar financeira e tecnicamente as iniciativas existentes.
Já, nos anos 90, a educação de jovens e adultos sofreu o desafio da transformação. Era preciso haver novas políticas, metodologias criativas e a universalização do ensino fundamental qualitativo.
Devido às conferências organizadas pela UNESCO, ocorreu um crescente reconhecimento, de nível internacional, da importância da EJA para o fortalecimento da cidadania e da formação cultural da população. Assim, ocorreram melhorias na educação dos países em desenvolvimento. Esta, então, provocou uma discussão nacional envolvendo delegações de todo o país sobre o assunto. Foram organizados os Fóruns Estaduais de EJA, que se expandiram por todo o país, com exceção de Roraima. Esses fóruns são instalados em cada estado brasileiro como espaços para que todos os profissionais dos segmentos envolvidos com a EJA, dialoguem, planejem, organizem e proponham atividades em comum, no sentido que cada educador dê a sua contribuição relatando fatos surgidos durante o processo ensino-aprendizagem; tais reuniões permanentes permitem que haja uma troca de experiências onde se aprenda com o diferente, exercitando a tolerância (SOARES, 2004).
Necessário citar que a manutenção desses fóruns tem sido um grande desafio visto que não há pessoa jurídica que conceda recursos para tal.